Postado por: Carol no dia 03/01/13 nas categorias JMBR Entrevista, Notícias

Você conhece os músicos incríveis que dividem o palco com o John Mayer nas turnês? Todos eles têm trabalhos solos sensacionais que merecem a nossa atenção…e o Bob Reynolds é um deles.

O que vocês vão ler abaixo é uma entrevista EXCLUSIVA que o JMBR fez com o saxofonista e companheiro de turnê do John Mayer. Nela, Bob divide muitas curiosidades: como conheceu o Johnny, os melhores momentos que viveu nas turnês e é claro, detalhes sobre o seu último disco solo, A Live Life (que conta com a participação especial do John Mayer!).

Leia com carinho, escute a música e em seguida, vá até a página do Facebook do Bob! Temos certeza que ele irá adorar receber mensagens, e curtidas dos fãs brasileiros! 🙂

Bob, thank you for your time and this awesome interview!

Equipe John Mayer BR

JOHN MAYER BR ENTREVISTA: BOB REYNOLDS

JMBR: Quando você começou a tocar saxofone e por que?

Bob: A resposta resumida é: Eu tinha treze anos e um vizinho me deu o saxofone da filha dele.

Entre as idades de dez e doze anos eu era obcecado com produção de filmes. Queria ser o próximo Steve Spielberg e passava todo o meu tempo livre fazendo filmes caseiros com a câmera filmadora VHS da minha mãe. Eventualmente eu comecei a escrever roteiros e forcei o meu irmão mais novo e os vizinhos a atuar nas minhas produções. Fazia tudo sozinho: escrevia, dirigia, filmava, atuava, editava…a única coisa que eu não conseguia fazer era compor as trilhas sonoras.

Passei horas sentado no piano do meu avô tentando “compor” música. Não fazia idéia do que estava fazendo, mas eu definitivamente escutava as músicas na minha cabeça. Normalmente eram músicas que captavam o clima ou o momento dos meus filmes. Ficava frustrado pois não conseguia achar a sonoridade certa e me sentia ridicularizado pelas teclas do piano.

Não fiz aulas porque não tinha vontade de ser pianista ou de perder tempo aprendendo a ler música de outras pessoas; eu queria escrever as minhas. Então me inscrevi na banda da escola na sétima série e quando o vizinho me ofereceu o velho saxofone da filha dele, eu aceitei.

A primeira vez que o toquei foi no banheiro (reverberação natural). Abri o case, montei o instrumento e comecei a fazer brincar. Foi o meu primeiro contato com a improvisação.

JMBR: Quais são as suas maiores influências?

Bob: Kenny G foi o meu vício. Quando tinha 13 e 14 anos ele estava direto no rádio e no canal VH1. Logo eu descobri Stan Getz e me apaixonei pelo seu timbre. Pelos próximos anos a lista aumentou: Sonny Stitt, Dexter Gordon, Cannonball Adderley, John Coltrane, Sonny Rollins, Joe Henderson, Charlie Parker, Stanley Turrentine, Michael Brecker, Kenny Garrett, Branford Marsalis, Bob Mintzer, Kirk Whalum, Eric Alexander, Joe Lovano, George Garzone, Mark Turner, Seamus Blake…

Por voltab dos 16 anos eu descobri Joshua Redman e Chris Potter (duas lendas do saxofone) e me encantei. Eles se tornaram meus exemplos, minhas grandes influências. Os primeiros 4 discos do Redman foram parcialmente responsáveis pela minha aspiração no saxofone e tocar jazz.

Falando de jazz…

Existem centenas de categorias de jazz. Quando perguntam que tipo de música eu toco, sempre é difícil encontrar as palavras certas. Se eu responder “jazz” eles podem imaginar algo como Kenny G ou Louis Armstrong, Miles Davis ou Gato Barbieri. E se usar como referência Joshua Redman ou Chris Potter, eles provavelmente não vão saber do que eu estou falando. É um desafio encontrar a referência adequada para mostrar o que eu faço para alguém que nunca me escutou tocar.

JMBR: Quando você conheceu o John Mayer?

Bob: Nos conhecemos em Fevereiro de 1997, era calouro na Berklee College of Music em Boston.

Um amigo em comum chamado Clay Cook (co-compositor de “No Such Thing” e agora guitarrista da Zac Brown Band) me pediu para fazer uma gravação tarde da noite para um trabalho de faculdade. A sessão só começou as 2:30 da manhã e eu quase não aceitei. Gravamos uma jam funk instrumental escrita pelo John e pelo Clay chamada “Depends”. O John parecia ser legal, tinha um groove bom, mas também era apenas outro guitarrista de uma faculdade lotada de guitarristas. Não tinha certeza se ele escrevia ou cantava nessa época.

JMBR: Quando você entrou para a banda e como aconteceu?

Bob: Entrei na banda em Janeiro de 2007, no começo da turnê do Continuum.

Na primavera de 2006, uma semana depois de ter retornado a NY da minha lua de mel, visitei o site do John para escutar algo do novo disco e vi que ele tinha um show marcado naquela semana no Webster Hall. Já fazia alguns anos que não nos víamos, então entrei em contato para ver se podíamos tomar um drink enquanto ele estava na cidade. Ele respondeu me convidando para o show e perguntando o que eu faria no próximo ano.

Surpreendi minha esposa (uma fã do John Mayer) e a levei ao show, quando eu os apresentei o John disse: “Prazer em conhece-la. Você se importa se eu pegar emprestado o seu marido no ano que vem?” e ela respondeu “De jeito nenhum…você vai autografar o meu cd?”

JMBR: Quais são os seus momentos favoritos das turnês com o John?

Bob: Tenho tantos…

Primeiro, vindo de um mundo de pequenos bares de jazz, foi empolgante andar por palcos de arenas todas as noites. Tocar no Madison Square Garden, Red Rocks, Giant’s Stadium e o Hollywood Bowl foi muito especial. Mas uma noite que se destaca foi a do meu primeiro show com o John, o primeiro show da turnê foi na minha cidade natal Jacksonville na Florida. Coincidência? John amavelmente me deu destaque durante “Wheel”, o que foi emocionante porque eu tinha muitos amigos e familiares na platéia.

John e eu dividimos afinidades como a música do Sting e particularmente a dos anos 80, quando o Branford Marsalis tocava saxofone. Costumava sonhar que tocaria com o Sting, mas olhando para trás, acho que trabalhar com o John foi basicamente essa experiência, no mesmo contexto. John é uma compositor extraordinário, um músico sério que monta bandas fenomenais.

Músicas como “Vultures”, “Wheel”, “Do You Know Me?”, “Stitched Up”, and “I Don’t Need No Doctor” se tornaram músicas me destacavam e ocasionalmente ele me confiava com “Gravity” ou “Covered in Rain”. Sou grato por tudo isso, sou um grande fã da música dele e amo tocar o pop-blus sofisticado que ele estabeleceu.

Um dos momentos mais especiais foi quando toquei “3×5” como dueto. Fazíamos isso ocasionalmente no bis, apenas violão e sax. É uma das minhas músicas favoritas do Room For Squares e tocá-la daquela maneira intimista, acústica, para mim era semelhante ao que o Sting e o Brandford faziam.

Também nos divertimos muito fora do palco, como banda. Muitas refeições incríveis, passeios pelas cidades, jogos e até uma viagem em que acampamos e soltamos fogos de artifício.

Não poderia existir uma combinação melhor de pessoas legais e músicos de alto nível do mundo pop.

JMBR: Fale um pouco sobre o seu último disco A LIVE LiFE.

Bob: Tenho muito orgulho dele. Acho que conseguimos captar algo único nele. Mas nunca foi minha intenção torna-lo um disco.

O que aconteceu foi que gravei dois shows diferentes, com duas formações de bandas, em um bar em downtown Manhattan. Mas quando eu escutei as gravações dos shows alguns meses depois, fiquei impressionado com o quão convincente a música soava e também com a qualidade da gravação.

Quando escutei os 18 minutos de “Can’t Wait for Perfect” soube que era algo especial, algo que eu não conseguiria recriar no estúdio. Existia uma certa magia na música. Era o resultado daquela rara mistura que deu certo de: platéia, banda, local e material.

Depurei os quatro sets de música e escolhi algumas que refletiam o que eu estava almejando comunicar musicalmente naquele momento. Sete faixas se tornaram A Live Life.

Vale mencionar que essa banda nunca ensaiou ou tocou junta antes. Já conhecia o Janek Gwizdala e Oli Rockberger mas apenas havia tocado com o Keith Carlock na banda do John Mayer, e nunca havia tocado com o Mark Guiliana ou John Shannon. Estava familiarizado com o trabalho de todos e tinha um presentimento que a música seria intensa.

Verdade seja dita, você nunca sabe se vai funcionar como você gostaria até você subir no palco. Nesse caso, foi melhor do que o esperado. Fizemos algo que eu nunca poderia ter organizado ou arranjando de uma forma melhor, esses são os melhores momentos.

É isso o que eu amo sobre tocar música com músicos de primeira classe que improvisam: você pode esperar só o inesperado, e geralmente é melhor do que você espera. Saca?

O nome do disco vem da percepção que esse é o meu quarto lançamento solo e o terceiro lançamento ao vivo. Grande parte das minha exposições artísticas são representadas por gravações ao vivo ou vídeos de shows. Além disso, minha esposa e eu estávamos esperando o nosso primeiro filho na mesma semana que lancei o disco. Então esse título tem vários significados pra mim.

Escute uma prévia do quarto disco do Bob, com participação do John Mayer nas guitarras:

Você também pode escutar o disco A Live Life no iTunes ou no Bandcamp.

Para saber mais sobre o trabalho do Bob visite: http://bobreynoldsmusic.com